sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Pink Floyd, Rock Psicodélico e a arte pop

"Pedrão vinha dirigindo para o trabalho e reparou como tem chovido em São Paulo ultimamente.

-Poxa vida, e não é uma simples chuva... – Pensou encafifado, seja lá o que for o significado desta palavra.

Lembrou que leu em algum lugar que os esquimós têm mais de duzentas palavras diferentes para a neve,
sem elas as suas conversas possivelmente seriam, tipo, bastante monótonas.
Eles distinguem então entre neve fina e neve grossa, neve leve e neve pesada, neve derretida,
neve quebradiça, neve que vem acompanhada de uma rajada de vento, neve que é levada pelo vento,
neve que vem trazida pela sola das botas do seu vizinho e arruínam o lindo chão limpinho do seu iglu,
as neves do inverno, as neves da primavera, as neves da sua infância que eram tão melhores do que essas neves modernas,
neve fina, neve aerada, neve de colina, neve de vale, neve que cai pela manhã, neve que cai à noite,
neve que cai de repente bem na hora em que você ia sair para pescar e neve na qual os seus huskies siberianos mijaram em cima,
apesar de todos os seus esforços para treiná-los.
Tem chovido tanto em São Paulo que já dá pra fazer os mesmos que os esquimós. Já dá pra contabilizar duzentos e trinta e um tipos diferentes de chuva que caíram em apenas uma semana!
-Quem dirá os co-irmãos cariocas héin?
Só hoje de manhã indo pro trabalho, o Pedrão passou pelos tipos 33 (chuvisco leve e pinicante que deixa as estradas escorregadias), 39 (gotas pesadas), 47 a 51 (de garoa vertical leve passando por garoa refrescante inclinada indo de leve a moderada), 87 e 88 (duas variedades sutilmente distintas de aguaceiro vertical torrencial), 100 (ventania uivante, pós aguaceiro, gelada), todos os tipos de tempestades marítimas entre 192 e 213 ao mesmo tempo, 123, 124, 126, 127 (pancadas frias amenas e intermediárias e tamborilar regular e sincopado), 11 (gotículas frescas)
Saindo de casa, pegou a famosa 17.
A chuva tipo 17 é uma gosma suja, que choca com tanta força contra seu pára-brisa que não fazia muita diferença ligar ou não os limpadores.

Testou a sua teoria desligando-os brevemente, mas a visibilidade de fato ficou bem pior. Mas também não conseguiu melhorar muito quando ele tornou a ligá-los.
Para falar a verdade, uma das lâminas começou a se soltar.

-Swish swish flop swish flop, Arranhão.
- Swish swish flop swish flop flop flop arranhão.

Esmurrou o volante, chutou o chão e socou o som até que ele começou a tocar Martinho da Vila de repente. Depois socou mais um pouco até ele parar de tocar e xingou, xingou, xingou, xingou e xingou.
Justo quando sua fúria estava atingindo o auge, lá estava, nadejante, diante de seus faróis, quase invisível por causa da gosma no pára-brisa, uma figura no acostamento.
Uma pobre figura ensopada com uma roupa esquisita, mais encharcada do que uma lontra em uma máquina de lavar. E pedindo carona.

- Pobre infeliz desgraçado.. -Pensou o Pedrão, percebendo que ali estava alguém com mais direito do que ele de sentir-se injustiçado.

-Deve estar gelado até os ossos. Que burrice, ficar pedindo carona de manhã assim.

-Você só consegue ficar frio, molhado e exposto aos carros que passam por cima das poças só para te molhar.

Ele balançou a cabeça entristecido, suspirou novamente, virou o volante e atingiu em cheio uma grande poça d'água.

-Você entende agora? - Pensou, enquanto atravessava a poça. "Você encontra completos idiotas na rua."

Alguns segundos depois, respingado no espelho retrovisor, estava o reflexo da figura, ensopado à beira da rua.
Por um segundo, o Pedrão sentiu-se bem com aquilo. Um ou dois segundos depois, sentiu-se mal por ter se sentido bem.

Então sentiu-se bem por ter se sentido mal por ter se sentido bem e, satisfeito, prosseguiu rua adentro.

Pelo menos conseguira descontar em alguém o fato de ter sido finalmente ultrapassado pelo tal motoboy que ele vinha bloqueando com afinco nos últimos trinta minutos.
À medida que dirigia, as nuvens carregadas o seguiam, arrastando-se pelo céu na sua direção, posto que, muito embora não soubesse, Pedrão era um Deus da Chuva. Tudo o que ele sabia era que os seus dias de trabalho eram uma porcaria e que tinha uma penca de férias lastimáveis. Tudo o que as nuvens sabiam era que o amavam e queriam ficar perto dele, para acalentá-lo e derramar água sobre a sua cabeça."


Pois é caro leitor, depois de ler o texto acima você deve pensar: -Mas que merda Dixon, o título dizia Pink Floyd. Pensei que ia ler uma caralhada de informações à cerca da banda, ou sobre outros talentos do rock e psicodélicos ainda por cima. 




Geralmente temos o costume de nos identificar com os gostos dos artistas que apreciamos. O texto acima foi adaptado para o Português brasileiro do Brasil, com a temática tipicamente tupiniquim com particularidades particulares ao nosso contexto (o pleonasmo era necessário, juro) de um obra muito apreciada e que foi escrita ao som de 'The Piper at the Gates of Dawn'. O texto é do livro "A vida, o universo e tudo mais" de Douglas Adams que foi extremamente incentivado por Roger Waters. A relação dos dois era tão próxima que Waters financiou diversos filmes do Monty Python - Companhia de Humor britânica que tinha seus roteiros totalmente escritos por Douglas Adams (Autor também do clássico 'O Guia do Mochileiro das Galáxias' e 'Praticamente Inofensiva'.




Pink Floyd iniciaram as suas atividades musicais em meados dos anos 60 e ao contrário de que boa parte daqueles que ignoram a pesquisa até no Google imagina este nome não se refere a um fluído rosa qualquer. Tampouco a efeitos lisérgicos causados por ácidos de mesmo principio ativo, referiam-se à dois excelentes músicos do Blues, Pink Anderson e Floyd Concil. 



As influências do pessoal vinha do Jazz, Blues, Surf Music e também o Psychedelic Rock americano que vinha ganhando força com a onda do 'Faça amor, não faça guerra' motivada pela guerra no Vietnã. Além de Anderson e Concil um pessoal como Nirvana (não, Kurt Cobain não influenciou Pink Floyd. Refiro-me a banda psicodélica homônima dos anos 60) e The Golden Dawn  não chegaram a influenciá-los mas lhe garanto que eram do agrado do conjunto. Lançaram a 'Saucerful Of Secrets' que inspirou o disco 'Paebirú' de Zé Ramalho nos início dos anos 70 e vieram 'More', 'Ummagumma', 'Atom' e 'Heart Mother' na sequência. Não preciso nem citar 'Another Brick on the Wall' em 1979 onde chegou ao topo das paradas e ainda deu tempo pra Water dar uma cuspidinha num fã que tentava subir ao palco durante uma apresentação.
Douglas Adams, lançou ainda 'Adeus e Obrigado pelos peixes', 'O restaurante no fim do Universo', 'Burocracia', 'O Sentido da Vida', 'O Titanic Galático' dentre outras.


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