domingo, 28 de agosto de 2011

Roberto Carlos, Funk e Tim Maia

Não é possível agradar aos árabes. Tampouco aos brasileiros, avalie aí todo artista - que esteja vivo, pois esta é a prerrogativa principal - que nasceu acá nas Terras de Santa Cruz que obteve qualquer exito musical acima da média que sempre tem um que critica. Se a mídia adotar o cara então, segura, você ouvirá o cara no café, no ônibus, no jantar e na hora de dormir será embalado pela sua melodia. Nos tempos atuais não há melodia, não há sonoridade, não há sentimento envolvido no negócio. Só há negócio exatamente porque a galera que consome nem sabe porque e é esse que rechaça os grandes talentos nacionais. Em um tempo onde Beatles e Rolling Stones dominavam o cenário mundial, tenha certeza que se Roberto Carlos tivesse nascido em território Anglo-saxão, seu primeiro sucesso 'I Wanna Everything Go to Hell'  teria incendiado o mundo todo (refiro-me ao Single 'Quero que vá tudo para o Inferno' de 1966).

Roberto Carlos braga nasceu em Caichoeiro do Itapemerim lá no Espirito Santo e foi no Rio de Janeiro na década de 60 que alcançou sucesso comercial na metade desta década impulsionado pela carência cultural que vivia o mundo pós-segunda-guerra mundial e pela chegada da Televisão. Foi nesta mesma época que os rapazes de Liverpool tomavam o mundo também da mesma forma e só depois da estável posição de ídolo incontestável e do dinheiro jorrando por conta dos direitos 'imorríveis' é que os mesmos músicos conseguiram impor os seus desejos musicais.

Eu particularmente desgosto da fase de Roberto Carlos em seu período de aplicação prática e liberdade composicional, diferente dos senhores de Liverpool que evoluíram para uma música internacional e bem elaborada, onde preferiu seguir uma linha mais suave e assumiu uma posição de Frank Sinatra ou Julio Iglesias, sendo um grande Crooner e comercialmente muito bem sucedido.


Falando dos tempos que me agradam, o LP 'Em Ritmo de Aventura' e o Seguinte 'O Inimitável', são discos muito bem elaborados, com destaque para o Orgão de Laffayette e a troca de olhares entre Roberto e o Funk americano que foi evoluindo nos discos seguintes como pode ser observado neste sucesso de 1969:




Excelente jogo de metais nas respostas (Sax, Trombone e trompete), o backing vocal sutíl e a guitarra seca bem semelhante à de Peter Tosh em 'Stir It Up'  que só foi produzida no verão de 1972 na inglaterra e o swing de um contrabaixo marcado como em 'Não Vou Ficar'.

Esta música tem uma história interessante: No começo da década de 70, o síndico - Ele mesmo, Tim Maia - era um antigo conhecido de Roberto desde os tempos da banda Sputnik, na qual Roberto era o guitarrista que acompanhava Tim Maia nos vocais. Depois de morar alguns anos fora do país, onde perdeu todo o principio do programa Jovem Guarda da TV Record, Tim encontrou toda a sua antiga turma dos tempos de infância do Rio de Janeiro fazendo sucesso nas terras da garoa, ganhando dinheiro e pegando menininhas.

Esperto como era, quis logo participar da divisa do bolo. O pedaço de Tim demorou pra ser oferecido e quando este chegou veio amassado por Baalzebul, Mefistófelis, Azmodeus e toda a turma do exército daquele que carrega a luz. Passou meses tentando falar diretamente com Roberto Carlos, em vão, morando de favor com amigos sendo e sentindo humilhado. Em um desses favores, chegou a morar com o cantor paraguaio Fábio, em épocas do auge do Iê-Iê-Iê o que valia a Fábio inúmeros encontros amorosos em seu apartamento, cujo Tim aproveitava o sofá e nunca pegava ninguém devido à sua obesidade, negritude e principalmente anonimato. O amigo de Tim ainda pedia as suas groopies  que só de favor dessem um pouquinho à Tim, pedido que era automaticamente rejeitado por conta dos detalhes que citei acima.

Essas situações renderam a música 'Azul da Cor do Mar' 'E na vida a gente tem que entender/Que um nasce prá sofrer/Enquanto o outro ri..'.


Nas perseguições ao Roberto, Tim conseguiu falar com Nice (Que era a senhora Roberto Carlos na época) e que se sensibilizou com a história do síndico. Nice convenceu Roberto à gravar alguma música de Tim para ajudá-lo, mas Roberto não quis gravar a música oferecida, 'Você' (Você/É algo assim/É tudo pra mim), por ela já ter sido gravada por Eduardo Araújo, anos antese se comprometeu a gravar qualquer música que Tim compusesse desde que ninguém houvesse gravado-a antes. E assim foi, na volta pra casa Tim compôs 'Não Vou Ficar' e despertou a fase Harlem de Roberto Carlos e uma nova página em sua carreira:






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