domingo, 28 de agosto de 2011

o Brejo do Cruz, Psicodelia e Surrealismo




É meu caro rapaz, ou rapariga ou moça cá na Ilha de Vera Cruz, estava aqui agradecendo ao Cosmo por este cara ter nascido no finalzinho da safra mais talentosa que houve no mundo. Sim, na já gasta segunda guerra mundial, as bombas de Hiroshima e Nagazaki juntamente com os projetos secretos de Hitler desencadearam uma série de eventos que Poincaré assinaria em baixo dando fé a Teoria.

Agradeço porquê se tivesse nascido depois deste tempo, provavelmente não teria aproveitado a fonte musical que jorrou nesta época ou ainda perderia espaço para o cantor-padrão-moderno:

Bonitinho e sem talento algum.

Mas graças aos mesmos eventos que garantiram a natividade no exato momento necessário, podemos apreciar todo o talento, sentimento e porquê não a atmosfera musical de Zé Ramalho.



Tenho fé que os anos irão se passar, mas que no fundo teremos ainda aquela velha certeza. Sim caro leitor, aquela mesma ideia no cume do olho de sair do poço, assim mesmo como estamos, bem na garganta do fosso. E sair dela na voz de um cantador.
Assim falou Zé Ramalho, nos terreiros da usina, na velha pedra de turmalina que guarda os segredos de Brejo do Cruz


Escute aqui uma das minhas músicas preferidas deste senhor, preste atenção no contrabaixo trabalhando como diríamos no Reggae, amassando o barro enquanto orgãos e violinos reproduzem o som das rabecas e compõe o cenário perfeito para uma música tipicamente única!



Uma música que caberia facilmente em um quadro de Salvador Dali, caso os quadros fossem dotados de sonoridade.
Caso uma música pudesse transformar seus sons em imagens, tenha certeza que veríamos um quadro surrealista cheio de símbolos e de desenhos compostos que se revelariam em cada vez que o víssemos.



Zé Ramalho e as Falas do Povo:



Falo da vida do povo

Nada de velho ou de novo

Em velhas mansardas, mansões e motéis

Os homens planejam os seus carretéis
Novelos e linhas, labirintos e ruas
As mulheres e luas são pedaços da noite
Vizinhos avisam, prezam seus anéis
O custo da vida, um conto de réis
Apitos de fábrica ressoaram de novo
Alegria do povo é sambar e sonhar

Falo da vida do povo

Nada de velho ou de novo...

Em feiras distantes, romeiros fiéis

Desfiam seu canto, velhos menestréis
Pelejas e lutas, esperanças de novo
Ninguém pede socorro nem se afoga no mar
Mendigos e risos, os ferrões do amor
Novamente os risos, os leões, domador
Acertaram no alvo, acertaram no negro
Descobrir o segredo de sorrir e chorar

Falo da vida do povo

Nada de velho ou de novo...



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